segunda-feira, 7 de junho de 2010

Então me acorde.

Me acorde quando as folhas estiverem caindo, quando o calor vier se aproximando, quando as janelas das casas forem abertas novamente. Me acorde quando os boêmios sairem dos becos, quando os músicos maquinarem suas novas melodias, quando os poetas voltarem a delirar. Me acorde quando tudo estiver diferente, quando eu me sentir contente, quando o claro, iluminado estiver. Me acorde quando não existir mais "talvez", quando houver explicação pra essa nossa lucidez, quando aquele vinil que a gente gosta estiver no toca-disco e a gente possa ao menos tentar. Me acorde procurando aquela carta de respostas ilegíveis e perfumadas. Sentimento precoce, rápido, uma mistura de pós. Tantas frases clichês que deram em nada, dois jovens ao acaso desatando nós. Me acorde e me lembre de tudo que a gente ria, quando eu então nada sofria, muito menos ao lhe ver passar. Me acorde quando a vida lhe der asas, quando a madrugada for sua amiga, quando suas lembranças puderem nos levar de volta pras nossas canções, pros nossos desvaneios e escuridões. Me acorde quando os nossos planos não forem mais secretos, a nossa casa já com concreto, o nosso amor não mais discreto. Me acorde me lembrando do que eu fui, me ensinando o que vou ser, me mostrando a lhe querer, cada dia mais. Me acorde com a leveza do seu "eu", com o mistério do seu olhar, com seu andar flutuante. Me acorde com sua cara de princesa, pra eu lhe chamar de vossa alteza e pra brindar pelo menos nesse instante. Me acorde e me mostre como a história se transforma, ficando sempre na memória, o piscar de olhos de cada abraço seu. Me acorde com um sorriso no rosto, partindo do nosso pressuposto, levando em conta o desgosto, de nada o que eu sonhei, ver realizar.

Um comentário:

Dora disse...

Lipe, nunca tenho palavras pros teus escritos... Tu és demais! :)

Beijos com muitas saudades!