quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ele, ela e um encontro.

13:20 da tarde de terça-feira. E o ônibus ia andando como um foguete, querendo chegar logo no local desejado. No lado, pessoas estranhas. Imaginava a vida delas esperando o tempo passar, na batida de cada kilômetro rodado. Na sua cabeça, um filme. 3 anos se passaram e ele continuava ali: Intacto, igual, sereno. A fraqueza tinha nome e ele já se acostumara com o fato de que certas coisas não mudam. Agora já dentro do local marcado, suava frio, olhava o relógio, batia o pé. Observava o vai-e-vem das pessoas imaginando a vida delas novamente. Ela o viu. Ele a viu. Estranho como ele se sentiu tão criança novamente em um simples tocar de bochechas. Estranho como ela não mudou nadinha desde aquele dia. E ele também não. Bom, talvez apenas seu coração. No começo, levados pela energia de uma saudade misturada com insegurança. Tantas coisas dentro daqueles olhos que seriam um desperdício não olhar. Olhos que puxavam para dentro, que faziam perder o controle. Na alma, tantas histórias juntos ou separados. Memórias, fatos, recordações. Amores de verão dos dois lados. Todo ano o reencontro dos mesmos. Culpa, ressentimento e medo tomavam conta de um momento em que nada mais importava. Na cabeça, retrospectivas de um ano sem se falar. No peito, a vontade de levá-la embora para sempre. Para terminar o não-cumprido, cicatrizar o que foi feito e reescrever uma nova trama, de preferência com final feliz. Na conversa, uma série de palavras expulsas com fervor e verdade, sem vaidades, com amor. Tentar, mesmo que falhando, ele decidiu. Não sabe mais o que pensar, o que dizer, o que falar, o que fazer. Apenas esperar. Sabe que errou, tenta consertar, quer se entregar. Talvez ele seja mesmo apenas um ator de cortina, um escritor de gaveta, um músico de notas enferrujadas, um estudante frustrado. Mas que desesperadamente precisa da mais bela coisa que reconhece que já lhe aconteceu. E por isso sempre volta, mas que agora bate a porta, com tudo concreto, certo e reto em si mesmo. Com a segurança de ser o que ele exatamente quer. Urgentemente precisa dela. Só dela. Amizade, apenas se tiver amor. Faz isso por ele mesmo, por ela, por eles. Pelo destino. Por sabedoria em saber que poderiam viver os dias mais felizes de suas vidas, daquele jeito de se divertir como se tudo fosse novo, como se a estrada terminasse, como se o relógio parasse e as coisas se reinventassem para o dia nascer novo. Pelo jeito peculiar deles. Que só eles têm. A distância não importa mais, o sentimento ultrapassa os pedágios e as rodoviárias. Ele só pede amor no pensamento nessa espera, emoção que ela sabe ter enquanto colore os calendários. E que seja sempre daquele jeito, daquele mesmo jeito que o fez ter saudade dela em meio ao inverno. Saudade dela em meio a um café desajeitado pela manhã, comendo qualquer coisa que certamente não foi ele quem fez. No final dessa coletânea de sentimentos, um beijo. Ou pelo menos o começo de um, apenas para mostrar que tudo é real. Tem a certeza de que pode sim a fazer feliz, como ela já sonhou um dia. Reacendendo a chama, religando a saudade, desabotoando seu coração.

Um comentário:

Stephanie disse...

Lipe xonado!
Gostei :D